ESTADO NOVO, VÍCIOS ANTIGOS: PATRIMONIALISMO E IMPUNIDADE NA HISTÓRIA DE RORAIMA (1988–2026)
DOI:
https://doi.org/10.68334/pbi.v1n1.5Palavras-chave:
Corrupção, Patrimonialismo, Instituições Extrativistas, ImpunidadeResumo
Por que um estado com pouco mais de três décadas de existência federativa acumula, nesse curto intervalo, um dos históricos de corrupção mais extensos e documentados do país? Este artigo argumenta que a resposta não está em falhas de caráter individual, mas em um arranjo institucional formado no próprio momento de criação de Roraima como ente federado, em 1988: transição acelerada de território federal a estado, sem burocracia consolidada, combinada a dependência estrutural de transferências da União e a uma economia centrada no funcionalismo público. Com base em revisão bibliográfica e análise documental de operações da Polícia Federal, processos judiciais e indicadores socioeconômicos entre 1988 e 2026, o artigo mostra que esse arranjo produziu um padrão recorrente — e não uma sucessão de episódios isolados — de apropriação privada de recursos públicos, captura de órgãos de controle e impunidade cíclica de agentes expostos por investigações. Casos como o Escândalo dos Gafanhotos (2003), a Operação Imhotep (2022) e o histórico do ex-senador Romero Jucá ilustram como esse padrão atravessa diferentes governos e décadas sem perder sua lógica estrutural. Os achados sugerem associação, e não relação causal estabelecida, entre esse padrão de corrupção e a estagnação de indicadores de desenvolvimento humano no estado, mecanismo que o artigo discute com o cuidado metodológico que a evidência disponível permite.
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